Esta postagem VAI! exclusivamente para todas as pessoas que estiveram presentes na temporada do SESC, compartilhando conosco do desassossego, da misteriosa floresta que nos enquadra!
Muito obrigado ao público joinvilense que veio prestigiar a cultura da nossa cidade!
Fotos de Fabricio Porto.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
TEMPORADA NO SESC
TEMPORADA DO ALHEAMENTO NO SESC.
LOCAL: TEATRO DO SESC
DATAS: 30/09/10 À 03/10/10.
20H (ingressos retirados com uma hora de antecedência)
PRESTIGIEM!!
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Um sOnhO...um nOvO cOmeçO...
Primeira pesquisa do universo Pessoano para a
linguagem teatral em 2006 com Fausto de Fernando Pessoa.
Primeiro contato com a obra Na Floresta do Alheamento em 2008.
Projeto 905 Alheamento contemplado no Edital Elisabete Anderle em 2009.
Estreia em 2010.
Samira Sinara
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Cia VAI! no Programa Cambio Cultural
Confira a entrevista exclusiva com a Companhia Vai de Teatro no Programa Cambio Cultural com apresentação de Rodrigo Domingus.
Cia VAI! marca presença na TV Brasil Esperança
A apresentadora Tuzi do Programa Batom com Pimenta e a atriz Samira Sinara
Os atores Samira Sinara, Vinicius da Cunha, Alex Maciel e o apresentador do Programa Buscando Soluções Sérgio Silva
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Teatro e Literatura
"O teatro não vive nas palavras... ele vive no espaço."
Venho pensando nessa frase há algum tempo e em sua praticidade no processo de construção deste projeto. Tenho lúcida compreensão de que toda forma escrita dramatúrgica não é mais que uma forma morta; Um epitáfio do autor revivida eternamente por aqueles que a lêem. Alguns textos ainda tendem a ser "formas prontas", independentes da cena representável para que se possa chegar a sua compreensão. São de certo modo literatura. Basta ler e se tem a compreensão do todo.
Então, que texto encenar no teatro?
De certa forma, isso me motivou a debruçar os olhos, alguns anos atrás, sobre o texto "Na Floresta do Alheamento", escrito pelo heterônimo Bernardo Soares, de Fernando Pessoa.
A necessidade de se representar esse texto na cena também é nula. Representá-lo seria, de certo modo, matar a poesia nele existente, já que trata de temas carregados de uma extrema subjetividade. Logo, a compreensão não acontece em uma leitura. Sentidos outros afloram à cada novo investigar do texto, sendo impossível encontrar algo palpável e até mesmo representável.
O que tem esse texto?
A escrita não acontece como articulação de ideias racionais, mas sim sensórias e ligadas a paisagem que circunda o eu-narrador (se é que existe um), de modo a criar imagens a partir do que ele/ela fala; a partir de suas próprias impressões sobre as coisas que o circundam. Assim temos uma ideia de uma "Floresta estranha" descrita em partes e carregada de experiências passadas ou até mesmo imaginadas por aquele que fala.
Quem sente o quê?
Toda sensação é algo particular e é sentida unicamente por termos um corpo. O ato de VER nos é particular. O que vemos (e da forma que vemos) é impossivel a outro se não nós mesmos. Eu vejo aquilo que quero ou que consigo. O outro também. Compartilhar exatamente o mesmo ponto de vista é impossível, já que temos um corpo que nos restringe. O outro ocupa um lugar em que eu não posso estar.
Então, o que é isso tudo?
Definições são complicadas, principalmente ligadas a figura de Fernando Pessoa. Seria o mesmo que perguntar: quem foi Fernando Pessoa?
Ele, poeta-múltiplo, fragmentou sua persona para sentir-se "muitos", e com isso tentar compeender melhor a realidade do mundo. Sob a ótica de vários pontos de vista, ele cria os Heterônimos, seres ficcionais que percebem o mundo de formas completamente diferentes. Mergulhando na metafísica e nos mistérios universais, Pessoa pode como ninguém deixar-se completar, permanecendo ele próprio, Fernando pessoa, uma esfinge.
Talvez a consciência do movimento simultâneo das coisas, todas a todo tempo, tenha servido de inspiração para que o poeta, em dado momento, concebesse esse texto como forma de testar os limites de suas percepções. O perceber de todas as coisas a cada momento é impossível. O coração dessa floresta de alheamento é BRANCO como um foco de luz, e ao nos aproximarmos dele, mais intensa e direta a luz fica, tornando-se "incontemplável". Olhos que reagem ofegantes ao contemplar essa Luz que de tão forte os cega. Neste caso a distancia é pertinente, de modo a perceber a superficie dessa paisagem, ao invés de abarcá-la ou mesmo tentar definir o que ela é realmente (verdade ou ilusão).
A floresta nunca é única, mas é sempre a mesma. Isso porque ela está lá na medida daquele que a observa. Na montagem de ALHEAMENTO, o texto não está realmente lá, apesar de ser dito "na íntegra". O que está são palavras dotadas de uma ausência. Palavras que "vivem no espaço" no momento e na forma com que são ditas. Neste sentido, estas palavras não são mais palavras, são "sons" percebidos na fisicalidade sonora (ouvidos) e que depois ganham o cognitivo (cérebro).
Não se é mais possível enxergar as laudas de papel em que foram impressas as palavras. O que se percebe agora são as sonoridades que elas produzem, vibrações do próprio corpo que ganham outros corpos em uma comunicação que ocorre "na linguagem" e não "pela linguagem". Essa linguagem carrega significados próprios dela e do momento em que ela acontece. Desse modo, as palavras ganham outro "status", nem mais nem menos importante do que a forma textual escrita e encerrada num papel, mas "outras". Elas ganham voz a partir do corpo e do espaço.
E como a palavra resiste a essa passagem do texto a voz sem perder sua essência (se é que isso existe)?
Penso que é isso justamente que difere as GRANDES das pequenas obras. Algumas foram feitas apenas para serem lidas, outras apenas para serem faladas, ou interpretadas, ou cantadas, o que for. Porém, algumas obras suportam as mudanças em sua forma ou linguagem, permanecendo com esse "algo Interno" (essência?) que faz com que elas sejam o que são, não importando o meio ou linguagem em que estão inseridas.
Para o dramaturgo Heiner Müller, os textos deveriam ser como pedras que ao serem lançadas a única mudança seria a do mover da poeira em sua superfície. Talvez, as que mais se aproximam do texto de Pessoa sejam as considerações de Artaud quando fala em palavras como emanações sensíveis, e não somente por seus sentidos racionais. Isso nos liberta ainda mais do zelo aos grandes ícones, e do séquito de guardadores sacramentais dessas grandes obras, como se elas fossem tão frágeis que realmente precisassem disso para sobreviver.
Raphael Vianna.
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