quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Fragmentos

          30 de setembro de 2010, foi o primeiro dos quatro dias da primeira temporada do espetáculo "Alheamento" em Joinville, no SESC. Neste mesmo dia, como leciono na escola Conservatório Belas Artes, convidei os alunos Jackson, Leonardo e Vitor para presenciarem a "floresta estranha". O objetivo era assistir o espetáculo e, futuramente, escrever sobre ele, buscando referências para a construção da sua resenha crítica através do blog da peça, do programa e é claro, do diálogo entre obra e espectador.
Abaixo, os fragmentos:

        "... Estruturada em único ato Alheamento se destaca pela sua poética visual e cênica, onde tudo é muito preciso e efêmero, numa amplitude de significado. ..." (Jackson Luis-2°fase)

       "... Esta peça, consegue mostrar o certo modo, as relações entre o eu-personagem, e o mundo, pelo viés do sentir. ..." (Leonardo Geremias Lopes- 1°Iniciação Profissionalizante)

      " ... uma "Floresta Estranha" descrita em partes e carregada de experiências passsadas ou até mesmo imaginadas por aquele que fala, por isto tem-se um texto carregado de subjetividade." (Vitor Ferreira- 1°Iniciação profissionalizante)

                             Por Samira Sinara/Alex Maciel.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Saudosismo de Pessoa


                                                                Por Samira Sinara

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Prestação De Contas

          A prestação de contas é um período derradeiro inserido praticamente em todo edital. Ele é rápido, leve e direto. Se pudéssemos, semelhar a prestação de contas ao processo de montagem do espetáculo Alheamento ao uso da partitura e subpartitura do Laban quanto a qualidade de movimento poderíamos  dizer,  que o CORTAR (definido por nós) é a prestação de contas.
          Analogias a parte, a prestação de conta é um momento para toda Cia e para todo espetáculo de realização satisfatório.
          É chegar a um resultado que desde o início e meio nos fez: sonhar, escrever, acreditar, convidar, estudar, comprar, pagar, experimentar, instigar, escutar, falar, ver, organizar, silenciar, divulgar, assinar, questionar, produzir, compartilhar, sentir e pensar, pensar e sentir.
         E assim, como o poema/prosa dramático não há uma linearidade (um começo, um meio e um fim) espero tão quanto Pessoa, que este processo não finalize com apenas, uma prestação de contas até porque  "Eu sonho, e por detrás da minha atenção, sonha comigo alguém..."
         Sonhos que destas pessoas estiveram e ainda, vão estar conosco no novo caminhar, nos novos contornos... na espera de que a VAI! continue com o Desassossego do Alheamento por alguns breves e longos anos.


Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura
A Comissão de Organização e Acompanhamento do Edital Elisabete Anderle divulga nome dos projetos selecionados.
Projeto do Segmento Teatro aprovado para receber o Valor de R$ 20.000,00
Proj.: Alheamento - Num.: 905 - Proponente: Samira Sinara Souza.


                                                                                                                                       Por Samira Sinara.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Agradecimentos!

            Esta postagem VAI! exclusivamente para todas as pessoas que estiveram presentes na temporada do SESC, compartilhando conosco do desassossego, da misteriosa floresta que nos enquadra!
         Muito obrigado ao público joinvilense que veio prestigiar a cultura da nossa cidade!


                                          Fotos de Fabricio Porto.       

terça-feira, 21 de setembro de 2010

TEMPORADA NO SESC

  TEMPORADA DO ALHEAMENTO NO SESC.
LOCAL: TEATRO DO SESC
DATAS: 30/09/10 À 03/10/10.
20H (ingressos retirados com uma hora de antecedência)

PRESTIGIEM!!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Um sOnhO...um nOvO cOmeçO...


Primeira pesquisa do universo Pessoano para a
linguagem teatral em 2006 com Fausto de Fernando Pessoa.
Primeiro contato com a obra Na Floresta do Alheamento em 2008. 
 Projeto 905 Alheamento contemplado no Edital Elisabete Anderle em 2009.
Estreia em 2010.



Samira Sinara

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Cia VAI! na Revista Premiere

 
Para ler a reportagem, clique na imagem!

Cia VAI! no Programa Cambio Cultural

video
Confira a entrevista exclusiva com a Companhia Vai de Teatro no Programa Cambio Cultural com apresentação de Rodrigo Domingus.

Cia VAI! marca presença na TV Brasil Esperança

A apresentadora Tuzi do Programa Batom com Pimenta e a atriz Samira Sinara

Os atores Samira Sinara, Vinicius da Cunha, Alex Maciel e o apresentador do Programa Buscando Soluções Sérgio Silva

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Teatro e Literatura



"O teatro não vive nas palavras... ele vive no espaço."

Venho pensando nessa frase há algum tempo e em sua praticidade no processo de construção deste projeto. Tenho lúcida compreensão de que toda forma escrita dramatúrgica não é mais que uma forma morta; Um epitáfio do autor revivida eternamente por aqueles que a lêem. Alguns textos ainda tendem a ser "formas prontas", independentes da cena representável para que se possa chegar a sua compreensão. São de certo modo literatura. Basta ler e se tem a compreensão do todo.

Então, que texto encenar no teatro?

De certa forma, isso me motivou a debruçar os olhos, alguns anos atrás, sobre o texto "Na Floresta do Alheamento", escrito pelo heterônimo Bernardo Soares, de Fernando Pessoa.
A necessidade de se representar esse texto na cena também é nula. Representá-lo seria, de certo modo, matar a poesia nele existente, já que trata de temas carregados de uma extrema subjetividade. Logo, a compreensão não acontece em uma leitura. Sentidos outros afloram à cada novo investigar do texto, sendo impossível encontrar algo palpável e até mesmo representável.

O que tem esse texto?

A escrita não acontece como articulação de ideias racionais, mas sim sensórias e ligadas a paisagem que circunda o eu-narrador (se é que existe um), de modo a criar imagens a partir do que ele/ela fala; a partir de suas próprias impressões sobre as coisas que o circundam. Assim temos uma ideia de uma "Floresta estranha" descrita em partes e carregada de experiências passadas ou até mesmo imaginadas por aquele que fala.

Quem sente o quê?

Toda sensação é algo particular e é sentida unicamente por termos um corpo. O ato de VER nos é particular. O que vemos (e da forma que vemos) é impossivel a outro se não nós mesmos. Eu vejo aquilo que quero ou que consigo. O outro também. Compartilhar exatamente o mesmo ponto de vista é impossível, já que temos um corpo que nos restringe. O outro ocupa um lugar em que eu não posso estar.

Então, o que é isso tudo?

Definições são complicadas, principalmente ligadas a figura de Fernando Pessoa. Seria o mesmo que perguntar: quem foi Fernando Pessoa?
Ele, poeta-múltiplo, fragmentou sua persona para sentir-se "muitos", e com isso tentar compeender melhor a realidade do mundo. Sob a ótica de vários pontos de vista, ele cria os Heterônimos, seres ficcionais que percebem o mundo de formas completamente diferentes. Mergulhando na metafísica e nos mistérios universais, Pessoa pode como ninguém deixar-se completar, permanecendo ele próprio, Fernando pessoa, uma esfinge.
Talvez a consciência do movimento simultâneo das coisas, todas a todo tempo, tenha servido de inspiração para que o poeta, em dado momento, concebesse esse texto como forma de testar os limites de suas percepções. O perceber de todas as coisas a cada momento é impossível. O coração dessa floresta de alheamento é BRANCO como um foco de luz, e ao nos aproximarmos dele, mais intensa e direta a luz fica, tornando-se "incontemplável". Olhos que reagem ofegantes ao contemplar essa Luz que de tão forte os cega. Neste caso a distancia é pertinente, de modo a perceber a superficie dessa paisagem, ao invés de abarcá-la ou mesmo tentar definir o que ela é realmente (verdade ou ilusão).
A floresta nunca é única, mas é sempre a mesma. Isso porque ela está lá na medida daquele que a observa. Na montagem de ALHEAMENTO, o texto não está realmente lá, apesar de ser dito "na íntegra". O que está são palavras dotadas de uma ausência. Palavras que "vivem no espaço" no momento e na forma com que são ditas. Neste sentido, estas palavras não são mais palavras, são "sons" percebidos na fisicalidade sonora (ouvidos) e que depois ganham o cognitivo (cérebro).
Não se é mais possível enxergar as laudas de papel em que foram impressas as palavras. O que se percebe agora são as sonoridades que elas produzem, vibrações do próprio corpo que ganham outros corpos em uma comunicação que ocorre "na linguagem" e não "pela linguagem". Essa linguagem carrega significados próprios dela e do momento em que ela acontece. Desse modo, as palavras ganham outro "status", nem mais nem menos importante do que a forma textual escrita e encerrada num papel, mas "outras". Elas ganham voz a partir do corpo e do espaço.

E como a palavra resiste a essa passagem do texto a voz sem perder sua essência (se é que isso existe)?

Penso que é isso justamente que difere as GRANDES das pequenas obras. Algumas foram feitas apenas para serem lidas, outras apenas para serem faladas, ou interpretadas, ou cantadas, o que for. Porém,  algumas obras suportam as mudanças em sua forma ou linguagem, permanecendo com esse "algo Interno" (essência?) que faz com que elas sejam o que são, não importando o meio ou linguagem em que estão inseridas.
Para o dramaturgo Heiner Müller, os textos deveriam ser como pedras que ao serem lançadas a única mudança seria a do mover da poeira em sua superfície. Talvez, as que mais se aproximam do texto de Pessoa sejam as considerações de Artaud quando fala em palavras como emanações sensíveis, e não somente por seus sentidos racionais. Isso nos liberta ainda mais do zelo aos grandes ícones, e do séquito de guardadores sacramentais dessas grandes obras, como se elas fossem tão frágeis que realmente precisassem disso para sobreviver.

Raphael Vianna.

Sobe uma névoa ligeira


Sobe uma névoa ligeira
E afaga o pequeno monte
Que pára na dianteira.
E com braços de farrapo
Quase invisíveis e frios,
Faz cair seu ser de trapo
Sobre os contornos macios.

Um pouco de alto medito
A névoa só com a ver.
A vida? Não acredito.
A crença? Não sei viver.

Fernando Pessoa

Programa do Espetáculo


Capa do programa do espetáculo


Dia 4 de setembro, às 20h00, no Teatro do SESC



O pessoal da produção de ALHEAMENTO está correndo nestas últimas semanas antes da estreia. Últimos ajustes na cenotécnica, nas projeções e trilha sonora, últimos contatos com a imprensa, cronograma enorme de ensaios, material gráfico na gráfica e nervos à flor da pele.
Nosso Amigo e Diretor, Raphael Vianna, não poderá estar aqui nos últimos momentos. Sofrerá a ansiedade pré-estreia longe e chegará no dia da apresentação.
O sonho está prestes a ser compartilhado.

Alex Maciel.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ESTRÉIA

                Daqui um mês... ALHEAMENTO. Ás 20:00h no SESC, ingressos retirados em horário antecipado ao espetáculo.
                                         Contamos com a presença de todos!!
Samira Sinara

sábado, 24 de julho de 2010

Alheamento Material Gráfico


Exemplo para o Material Gráfico para ALHEAMENTO por Márcio Dall'Aqua.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

[TEATRO ESTÁTICO]

CHAMO TEATRO ESTÁTICO àquele cujo enredo dramático não constitui ação -- isto é, onde as figuras não só não agem, porque nem se deslocam nem dialogam sobre deslocarem-se, mas nem sequer têm sentidos capazes de produzir uma ação; onde não há conflito nem perfeito enredo. Dir-se-á que isto não é teatro. Creio que o é porque creio que o teatro tende a teatro meramente lírico e que o enredo do teatro é, não a ação nem a progressão e consequência da ação -- mas, mais abrangentemente, a revelação das almas através das palavras trocadas e a criação de situações (...) Pode haver revelação de almas sem ação, e pode haver criação de situações de inércia, momentos de almas sem janelas ou portas para a realidade.

Fernando Pessoa.

domingo, 18 de julho de 2010

ALHEAMENTO em processo


Samira, Alex, Soares e Raphael em discussão sobre o processo de construção e montagem
do espetáculo ALHEAMENTO que estréia no SESC de Joinville no dia 04/09/2010.
DECOUPAGE

      Durante o processo da construção do espetáculo fomos direcionados pela assistente de direção Daiane Dordete com exercícios físicos e espaciais relacionados com o Sistema do Laban e do Viewpoints em objetivo comum com a direção do Raphael Vianna. Um dos exercícios era construir a decoupage das ações físicas com imagens e as sensações corporais/vocais sendo que em alguns momentos, a ação física corporal é contrária da vocal.  O resultado é realizar movimentos que não ilustre o que está sendo dito, falado. Assim, os personagens buscam representar e não interpretar. Um trabalho de pesquisa de Direção com Assistência resultante do Mestrado de ambos para a construção do espetáculo. Acredito que mesmo sendo dificultoso é prazeroso saber, que ainda temos muito a caminhar.

Quadro 16: E ei-la que... da nossa tristeza.
Ação:  girar o braço, olhar para frente e caminhar para trás
Imagem: aranha percorrendo o braço direito até o esquerdo pelas costas
Sensação: pavor,medo
ABCorpo: chicotear (rápido, indireto e pesado)
ABVoz:  chicotear


Por Samira Sinara.

sábado, 17 de julho de 2010

FIGURINOS ALHEAMENTO

Desenhos dos Figurinos por Raphael Vianna.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O CENOTÉCNICO.

  A "Cenotécnica" se trata do processo de construção dos elementos cenográficos de um espetáculo.
Em ALHEAMENTO quem assina a cenotécnica é Soares, que a partir dos desenhos conceituais da cenografia idealizada pelo diretor Raphael Vianna, constrõe os mecanismos e dispositivos, propondo soluções técnicas para a cenografia do espetáculo.

 

 




Construção dos elementos cenográficos de ALHEAMENTO por "Soares Cenografia"

FOTOS ALHEAMENTO






Fotos por Fabrício Porto.

FLORESTA DE SONHO


Em uma carta a Armando Cortes-Rodrigues, datada de 19 de novembro de 1914, o jovem Fernando Pessoa escreve: “O meu estado de espírito obriga-me agora a trabalhar bastante, sem querer, no Livro do Desassossego. Mas tudo fragmentos, fragmentos, fragmentos”. Um mês antes, ele escrevia ao mesmo amigo sobre “uma depressão profunda e calma” que o induzia a escrever “pequenas coisas” e “quebrados e desconexos pedaços do Livro do Desassossego”. Contudo, é possível dizer que o Livro nasceu em 1913 com a publicação de Na Floresta do Alheamento, considerada a primeira prosa criativa de Pessoa. Imersa numa atmosfera onírica caracterizada por paradoxos, contradições, longos períodos e vocabulário não muito usual, a prosa parece tentar descrever o indescritível.

Poema dramático ou prosa poética, o fato é que este é um texto notadamente poético. Através dele, Fernando Pessoa, por meio de Bernardo Soares, descreve memórias que podem ser de outros ou dele próprio. Reflexões a respeito do vivido que, talvez, tenha sido apenas uma hipótese.



Alex Maciel.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

DESIGN 3D (Alheamento)
















Design de Iluminação 3D por Flávio Andrade.

terça-feira, 6 de julho de 2010

"... horas caídas nesse mundo de um outro mundo mais cheio do orgulho de ter mais
desmanteladas angústias..." 

Bernardo Soares/Pessoa
por Samira Sinara.

“PESSOAS”



Fernando Pessoa (1888 – 1935) pode ser considerado um dos maiores expoentes da literatura universal. Junto com a geração de poetas que lançou a revista Orpheu, mudou o paradigma literário de Portugal no início do século XX, derrubando mitos culturais herdados do passado. Mais do que os seus contemporâneos, Pessoa deixou uma obra que hoje é considerada uma referência de época no desenvolver da literatura do seu país. O caso dos heterônimos não tem paralelo na literatura. Foi um poeta que inventou outros poetas, com identidades, personalidades, crenças e histórias de vida próprias, dividindo-se em dezenas de personagens literários que se contradizem uns aos outros, e mesmo a si próprios. Dentre os seus heterônimos poetas, destacam-se Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Caeiro é considerado o mestre de todos, inclusive de Fernando Pessoa ele mesmo.

A prosa também faz parte do seu espólio. O Livro do Desassossego, de autoria atribuída ao seu semi-heterônimo Bernardo Soares, representa o que há de mais rico em sua prosa. Soares é considerado um semi-heterônimo porque, segundo o próprio Pessoa, não sendo uma personalidade outra nem a dele, é uma “simples mutilação dela”.




Alex Maciel.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Diretor em Joinville (Junho)

Preparativos e acabamentos do espetáculo sob a supervisão do diretor Raphael Vianna.